sábado, 16 de agosto de 2008

BRONOWSKY, Jacob. Ciência e valores humanos. Tradução: Alceu Letal. Belo Horizonte (MG): Editora Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São P

Vivemos num mundo que cada vez é mais penetrado pela ciência e que é tanto total como real. 11
Não existe doutrina mais ameaçadora e degradante do que a idéia visionária de que podemos de qualquer maneira pôr de lado a responsabilidade pelas decisões da nossa sociedade, passando-a para alguns cientistas revestidos de uma especial magia. 12
O homem domina a natureza, não pela força, mas pela compreensão. É esta a razão pela qual a ciência conseguiu alcançar êxito onde a magia falhou, isto é, não tentou lançar nenhum encanto mágico sobre a natureza. 16
A realidade não é uma exposição a ser vistoriada pelo homem, com o rótulo de “Não tocar”. Não há aspectos fotografados, experiências copiadas, em não tomemos parte. A ciência, tal como a arte, não é uma cópia da natureza, mas uma recriação da mesma.26
Para nós o hábito da verdade simples, em relação a experiência, tem sido o inspirador da civilização. 50
A verdade na ciência é como o Everest – uma ordenação dos fatos. Organizamos a nossa experiência em padrões que, formalizados, constituem a rede de leis científicas. 58
A ciência é na realidade, uma atividade verdadeira, e quer olhemos para os fatos, coisas ou conceitos, não podemos desenredar a verdade do significado – isto é, de uma ordem mais profunda. 58
Os conceitos de valor são profundos e difíceis, exatamente porque fazem duas coisas ao mesmo tempo: agrupam os homens em sociedades e contudo garantem-lhes uma liberdade que os torna homens singulares. Uma filosofia que não reconheça ambas as necessidades não pode desenvolver valores e, na realidade não os admite. 61
Os homens e mulheres que praticam ciência constituem um grupo de intelectuais que tem sido mais duradouro do que qualquer Estado moderno e que, todavia, tem mudado e evoluído como não aconteceu com Igreja alguma. 64
Os valores da ciência não derivam nem das virtudes dos seus membros, nem dos códigos de conduta, vigilantes, através dos quais todas as profissões se mantém na linha. Desenvolveram-se da prática da ciência, porquanto são condições inevitáveis da sua prática. 66
A ciência é a criação de conceitos e das sua explorações nos fatos. Não existe outro exame de conceito que não seja a verdade empírica de fato. A verdade é o estimulo no centro da ciência; tem de ter o hábito da verdade, não como dogma, mas como processo. 66
A ciência não é um mecanismo, mas um processo humano, e não uma série de descobertas, mas a procura das mesmas. Aqueles que pensam que a ciência é neutra do ponto de vista ético, confundem as descobertas da ciência, que o são, com a atividade da ciência, que o não é. 69
Na sociedade dos cientistas, cada homem, pelo processo de explorar a verdade, ganhou uma dignidade mais profunda do que a sua doutrina. Uma verdadeira sociedade é mantida pelo sentido da dignidade humana. 70
A sociedade dos cientistas é simples porque possui um objetivo direto: explorar a verdade. No entanto, tem de resolver o problema de todas as sociedades, que é encontrar um compromisso entre o homem e os homens. 74

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